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Aquela barrinha é mesmo saudável? Lucas Peralles explica o efeito halo que engana consumidores

Poucas coisas parecem tão inofensivas quanto uma barrinha com a palavra “proteína” estampada em letras grandes na embalagem, mas Lucas Peralles, nutricionista esportivo e fundador do Método LP, ressalta que essa percepção de inocência é, na verdade, resultado de um viés cognitivo muito bem documentado pela ciência do comportamento do consumidor, conhecido como efeito halo da saudabilidade.

Esse efeito ocorre quando a presença de uma única característica considerada positiva, como a palavra “proteína” no nome do produto, faz o consumidor presumir automaticamente que todo o restante da composição nutricional também é saudável, mesmo sem qualquer evidência concreta disso. Estudos publicados em periódicos de comunicação em saúde mostram que esse viés não é apenas teórico, mas mensurável em experimentos controlados envolvendo centenas de consumidores reais.

Neste artigo, entenda mais sobre a composição completa e se tudo que compramos é de fato saudável.

Como uma única palavra consegue mudar a percepção sobre um produto inteiro?

Uma pesquisa conduzida por pesquisadores de universidades americanas testou diretamente esse fenômeno, comparando a percepção de consumidores diante de duas versões de uma mesma barra alimentícia, uma com a palavra “proteína” no próprio nome do produto e outra apenas com a informação de proteína descrita entre os demais ingredientes. Os resultados mostraram que apenas a versão com a palavra “proteína” no título aumentou significativamente a percepção geral de saudabilidade do produto, um efeito que os pesquisadores atribuíram ao aumento simultâneo da percepção de outros nutrientes positivos, como fibra e ferro, que sequer estavam destacados na embalagem.

Curiosamente, essa distorção de percepção acontece de forma quase automática, sem que o consumidor perceba conscientemente o próprio raciocínio equivocado. Lucas Peralles expressa que esse tipo de mecanismo psicológico explica por que tantos pacientes atendidos na Clínica Peralles relatam surpresa ao descobrir, durante a análise detalhada de rótulos, que produtos que consideravam parte de uma alimentação saudável continham quantidades elevadas de açúcar ou gordura saturada escondidas atrás do apelo da palavra proteína.

Por que esse efeito se tornou tão comum especificamente no mercado fitness?

O crescimento acelerado do mercado de produtos com apelo de saudabilidade impulsionou uma verdadeira competição entre marcas para estampar o maior número possível de alegações nutricionais nas embalagens, criando um ambiente saturado de mensagens como “alto teor de proteína”, “sem adição de açúcar” ou “ingredientes naturais”. Levantamentos de mercado mostram que muitos produtos combinam diversas dessas alegações simultaneamente, mesmo quando o perfil nutricional completo do item está longe de justificar essa percepção coletiva de saudabilidade.

Lucas Peralles
Lucas Peralles

Ao mesmo tempo, análises recentes do mercado de produtos com alegação proteica identificaram enorme variação na quantidade real de proteína entre categorias de produtos supostamente equivalentes, revelando que a alegação isolada, sem análise cuidadosa do rótulo completo, pouco informa sobre a real qualidade nutricional do item. Dentre o que analisa Lucas Peralles, esse cenário exige do consumidor uma capacidade crítica de leitura que vai muito além de simplesmente confiar nas palavras destacadas na parte frontal da embalagem.

Como esse viés interfere diretamente na quantidade que a pessoa consome?

Um dos aspectos mais preocupantes desse fenômeno é que ele não influencia apenas a decisão de compra, mas também a quantidade efetivamente consumida do produto. Pesquisas sobre percepção alimentar mostram que, quando um item é percebido como saudável, o consumidor tende a relaxar o controle consciente sobre a quantidade ingerida, acreditando erroneamente que o próprio rótulo já garante moderação nutricional automática.

O nutricionista esportivo, Lucas Peralles, salienta que esse detalhe frequentemente ignorado ajuda a entender por que alguns pacientes consomem determinados produtos considerados fit em quantidades muito superiores às que consumiriam de um doce tradicional, mesmo quando o valor calórico final se aproxima bastante entre as duas opções. 

Como desenvolver um olhar mais crítico diante dessas estratégias de marketing?

Reconhecer a existência do efeito halo da saudabilidade é o primeiro passo para reduzir sua influência sobre as próprias escolhas alimentares. Isso significa treinar o hábito de olhar além da palavra destacada na embalagem, avaliando a tabela nutricional completa e comparando a proporção real entre proteína, açúcar, gordura e demais ingredientes antes de considerar qualquer produto automaticamente saudável.

Para o fundador do Método LP, ensinar essa leitura crítica é uma extensão natural do pilar de autonomia alimentar que sustenta todo o trabalho realizado na Clínica Peralles. De acordo com Lucas Peralles, o objetivo não é demonizar produtos industrializados voltados ao público fitness, mas capacitar o paciente a fazer escolhas verdadeiramente informadas, livres da manipulação sutil que uma única palavra bem posicionada na embalagem consegue exercer sobre a percepção coletiva de saudabilidade.