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Tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros chega a 50%, mas quase 700 itens ficam de fora da taxação

O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue sob os efeitos de uma das medidas tarifárias mais duras já aplicadas pelo governo americano a um parceiro comercial.

Depois de meses de idas e vindas, o tarifaço imposto pela administração de Donald Trump chegou ao patamar de 50% sobre boa parte dos produtos brasileiros exportados para o mercado americano, embora uma lista extensa de itens tenha sido poupada da cobrança adicional.

O decreto assinado por Trump implementou uma tarifa adicional de 40% sobre os produtos importados do Brasil, elevando o valor total da sobretaxa para 50%, considerando os 10% que já haviam sido anunciados em abril. A medida consolidou, na prática, um dos maiores percentuais de taxação já aplicados pelos Estados Unidos a um único país nesse ciclo de tarifas recíprocas. O TEMPO

O que fica de fora da tarifa

Apesar do porcentual elevado, o próprio texto do decreto abriu uma série de exceções que amenizam o impacto sobre setores considerados estratégicos. O decreto isenta quase 700 produtos, entre eles derivados de petróleo, ferro-gusa, produtos de aviação civil e suco de laranja, enquanto itens como carnes, café e pescado não escaparam da cobrança adicional. Essa diferença de tratamento tem efeito direto sobre setores exportadores distintos, já que alguns segmentos ficam protegidos da alta de custos e outros passam a disputar mercado em condição bem mais desfavorável. O TEMPO

Um recuo pontual também chamou atenção nas semanas seguintes ao anúncio original. Pressionado pelo aumento da inflação nos Estados Unidos e após um encontro entre Trump e o presidente Lula na Malásia, o governo americano retirou a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas como carne bovina, tomate, café e banana, ainda que a sobretaxa de 40% sobre o restante dos produtos brasileiros continue em vigor. O movimento sugere que parte da política tarifária tem sido ajustada conforme o próprio custo da medida se reflete nos preços pagos pelo consumidor americano. O TEMPO

O contexto por trás da tarifa

A justificativa oficial para a medida está ligada ao processo judicial que envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil. O governo americano associou a tarifa ao que classificou como perseguição política contra o aliado de Trump, enquanto o governo brasileiro rejeitou a alegação e tratou o episódio como uma interferência indevida em assuntos internos do país. A tensão diplomática levou à criação, por parte do Executivo brasileiro, de um comitê interministerial para acompanhar os desdobramentos da disputa comercial.

Além da dimensão tarifária, o episódio abriu uma investigação paralela por parte dos Estados Unidos, com base na seção 301 da Lei de Comércio americana de 1974, mecanismo que permite a Washington impor sanções adicionais em casos de práticas comerciais consideradas desleais. Esse ponto ainda está em avaliação e pode gerar novos desdobramentos nos próximos meses.

Do lado brasileiro, entidades industriais e agrícolas monitoram de perto o impacto da tarifa sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano, sobretudo em setores como carne, café e pescado, que ficaram fora das isenções concedidas. Para esses segmentos, a alternativa mais discutida tem sido a busca por novos mercados compradores, de forma a reduzir a dependência das exportações para os Estados Unidos.

O caso também reacendeu o debate político interno sobre a relação entre a crise diplomática e o julgamento de Bolsonaro, com posições divergentes entre governo e oposição sobre quem seria responsável pelas consequências econômicas da medida. Enquanto o assunto segue em aberto, exportadores brasileiros aguardam sinalizações mais claras sobre eventuais novas rodadas de negociação entre os dois países.

Fontes:
O Tempo | Agência Brasil | g1.globo.com