Quando o tema é economia circular aplicada ao setor de embalagens, poucos profissionais têm acompanhado as transformações com tanta proximidade quanto Elias Assum Sabbag Junior, empresário e especialista em embalagens plásticas com longa experiência na indústria de transformação. O conceito de circular economy saiu dos documentos acadêmicos e dos relatórios ESG e começou a produzir resultados verificáveis em algumas cadeias industriais, mas ainda convive com lacunas, gargalos e muito marketing sem substância.
A ideia central da economia circular é simples: eliminar o modelo linear de produzir, usar e descartar, substituindo-o por ciclos onde materiais e produtos mantêm seu valor por mais tempo. Na prática, a aplicação desse princípio em uma indústria como a de embalagens plásticas exige mudanças em logística, tecnologia, legislação e, principalmente, no modelo de negócio de toda a cadeia. E é exatamente aí que a complexidade aumenta.
Ao longo deste conteúdo, você vai entender o que realmente funciona, onde estão os obstáculos e quais movimentos do setor merecem atenção.
O que a indústria já conseguiu fazer de forma concreta?
Alguns avanços são reais e verificáveis. O uso de material reciclado pós-consumo na fabricação de embalagens plásticas cresceu nos últimos anos, impulsionado tanto por exigências regulatórias quanto pela demanda de grandes marcas que se comprometeram publicamente com metas de reciclagem. No Brasil, setores como bebidas, higiene pessoal e alimentos já utilizam percentuais crescentes de resina reciclada em suas embalagens, o que gera demanda para toda a cadeia de reciclagem.
Conforme destaca Elias Assum Sabbag Junior, a incorporação de material reciclado pós-consumo na produção de embalagens é uma das transformações mais significativas dos últimos anos no setor. Não se trata apenas de uma escolha ambiental, mas de uma adaptação às expectativas de clientes, consumidores e investidores que passaram a monitorar ativamente esses indicadores. A rastreabilidade do material reciclado, aliás, tornou-se um diferencial competitivo em muitos contratos industriais.
Onde ainda existem gargalos reais no ciclo circular?
O principal obstáculo para a economia circular no setor plástico não é tecnológico: é logístico e econômico. A coleta seletiva de plásticos no Brasil ainda é fragmentada, o que limita o volume e a qualidade do material reciclado disponível para a indústria. Regiões com infraestrutura de coleta mais desenvolvida conseguem alimentar melhor as plantas de reciclagem, mas o país ainda opera longe do potencial que sua escala industrial permitiria.

Outro gargalo é a diferença de preço entre a resina virgem e a reciclada em determinados momentos do mercado. Quando a resina petroquímica sofre queda de preço por conta de variações no mercado global, a resina reciclada perde competitividade econômica imediata, o que pode desacelerar investimentos no setor. Sem instrumentos de política pública que garantam previsibilidade para o mercado de reciclados, esses ciclos de retração se repetem.
Pós-consumo como matéria-prima: uma virada de mentalidade necessária
Tratar o material pós-consumo como matéria-prima, e não como resíduo, é uma das mudanças de mentalidade mais difíceis e mais necessárias para que a economia circular funcione de fato. Isso exige investimento em processos de seleção, limpeza e reprocessamento que garantam a qualidade do material reciclado para aplicações industriais exigentes.
Para Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas, esse é um dos pontos mais relevantes do debate atual no setor. A indústria que souber integrar o pós-consumo com consistência e qualidade terá uma vantagem competitiva real nos próximos anos, especialmente à medida que as exigências ambientais se tornam critérios formais em licitações, contratos e certificações.
ESG, legislação e pressão de mercado: o que está acelerando a transição
A agenda ESG deixou de ser voluntária para muitas empresas. Fundos de investimento, grandes clientes corporativos e reguladores passaram a exigir evidências concretas de desempenho ambiental, o que empurra toda a cadeia de fornecimento a se adaptar. No setor de embalagens, isso se traduz em metas de conteúdo reciclado, redução de embalagens desnecessárias e compromissos com logística reversa.
Segundo Elias Assum Sabbag Junior, a pressão regulatória e a demanda dos clientes estão alinhadas neste momento, o que raramente acontece. Quando regulação e mercado apontam na mesma direção, as empresas que já estão adaptadas ganham; as que esperam acabam correndo atrás.
O que separa a circular economy real da que existe só no relatório?
A diferença entre uma empresa que pratica economia circular e uma que apenas declara praticá-la está nos processos internos: rastreabilidade do material, metas mensuráveis com prazos reais, auditorias de fornecedores e investimento em infraestrutura de logística reversa. Relatórios bonitos sem mudança operacional são cada vez mais identificados por investidores e parceiros que aprenderam a fazer as perguntas certas.
Conforme aponta o empresário Elias Assum Sabbag Junior, a credibilidade no tema da sustentabilidade industrial se constrói com consistência ao longo do tempo e não com declarações pontuais. O setor de embalagens plásticas tem condições reais de liderar esse processo, desde que invista em transparência, rastreabilidade e inovação contínua nos processos produtivos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
