Pesquisas mostram que uso prolongado de celular, computador e streaming afeta desde adolescentes até idosos, com impacto direto na qualidade do descanso.
Assistir a uma série antes de dormir virou hábito comum em boa parte dos lares brasileiros, mas pesquisadores têm reforçado os alertas sobre os efeitos desse comportamento no corpo e na mente. Estudos conduzidos nos últimos anos, incluindo um levantamento recente da Universidade Federal de Minas Gerais, associam o uso excessivo de telas a problemas como insônia, ansiedade e dificuldade de concentração, sintomas que aparecem tanto em adolescentes quanto em pessoas acima dos sessenta anos. O tema ganha ainda mais relevância em um momento em que o consumo de conteúdo audiovisual por streaming segue crescendo no Brasil, muitas vezes concentrado justamente no período noturno, horário em que o corpo deveria se preparar para o sono. Entender o que a ciência já comprovou sobre esse assunto ajuda a repensar hábitos sem que isso signifique abrir mão do entretenimento digital.
O que a pesquisa da UFMG revelou sobre idosos e tempo de tela
Um estudo conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais analisou o tempo de uso de telas entre pessoas acima de 60 anos, reunindo dados de 50 mil idosos distribuídos em 20 estudos ao redor do mundo, incluindo um recorte de 11 mil participantes brasileiros. Segundo reportagem do Diário do Litoral sobre a pesquisa, o resultado mostrou associação entre uso excessivo do celular e transtornos como ansiedade, insônia e nomofobia, termo usado para descrever o medo de ficar sem acesso ao celular ou à internet.
A pesquisa também apontou uma diferença importante em relação a outras faixas etárias: enquanto para crianças e adolescentes já existem recomendações mais claras sobre tempo de exposição às telas, os idosos ainda carecem desse tipo de orientação estruturada. Para os pesquisadores envolvidos no estudo, a solução passa menos por afastar essa geração da tecnologia e mais por promover letramento digital, ajudando pessoas mais velhas a usarem celulares e plataformas de streaming de forma mais consciente, o que inclui reconhecer sinais de cansaço excessivo e saber identificar tentativas de golpes digitais, outro risco associado ao uso intenso de telas nessa faixa etária.
Como a luz azul e o uso noturno de telas afetam o sono
Além do volume de tempo gasto em frente a telas, o horário em que esse uso acontece também tem peso relevante para a saúde do sono. Segundo reportagem da GPS Brasília, que cita dados da Organização Mundial da Saúde e da American Academy of Sleep Medicine, a exposição prolongada à luz azul emitida por celulares, computadores e tablets pode interferir no relógio biológico do corpo, reduzindo a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono, o que dificulta o processo de adormecer e compromete a qualidade do descanso.
Esse efeito é especialmente relevante para quem tem o hábito de assistir a filmes ou séries pouco antes de dormir, já que o mesmo dispositivo usado para assistir ao conteúdo também é responsável pela emissão dessa luz. Pesquisa citada pela Revista Ampla reforça esse ponto ao indicar que a exposição à luz azul antes de dormir pode atrasar o início do sono em cerca de três horas, o que, na prática, significa que quem costuma maratonar episódios até tarde da noite tende a dormir bem mais tarde do que imagina, mesmo sem perceber esse atraso no momento.
O que fazer para reduzir os efeitos do tempo de tela no dia a dia
A recomendação mais comum entre especialistas não é o abandono total do streaming ou de outros usos de tela, mas sim o estabelecimento de limites mais claros, principalmente no período noturno. A Sociedade Brasileira de Pediatria, por exemplo, já recomenda que o acesso a telas por crianças seja sempre supervisionado, sendo nulo entre zero e dois anos e limitado a poucas horas nas faixas etárias seguintes, conforme aponta a Revista Ampla. Para adultos e idosos, embora não exista uma diretriz tão rígida, a orientação geral caminha na mesma direção: reduzir o uso de telas pelo menos uma hora antes de dormir ajuda o corpo a retomar a produção natural de melatonina.
Outros hábitos simples também ajudam a equilibrar o consumo de conteúdo digital com a qualidade do sono, como ativar o modo noturno das telas, que reduz a emissão de luz azul, e evitar assistir a conteúdos muito estimulantes pouco antes de deitar. Para quem sente dificuldade real de se desconectar, mesmo sabendo dos riscos, pode ser importante buscar orientação profissional, já que sinais como irritação ao ficar sem o dispositivo e alteração significativa na rotina de sono merecem atenção além do simples ajuste de hábito.
O consumo de streaming faz parte da rotina de milhões de brasileiros e não precisa ser encarado como vilão isolado, mas os estudos reunidos aqui mostram que o horário e a intensidade desse uso fazem diferença real para o corpo. Pequenos ajustes, como definir um horário limite para desligar a tela à noite, podem preservar tanto o prazer de assistir a uma boa série quanto a qualidade do sono no dia seguinte.
Este texto tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Quem enfrenta dificuldades persistentes de sono ou sinais de ansiedade relacionados ao uso de telas deve buscar orientação de um profissional de saúde.
Fontes consultadas:
Diário do Litoral: https://www.diariodolitoral.com.br/diario-mais/idosos-passam-da-conta-no-celular-e-pesquisa-mostra-como-o-excesso-de-telas-traz-prejuizos-perigosos-para-a-saude/
GPS Brasília: https://gpsbrasilia.com.br/habitos-para-reduzir-o-tempo-de-tela-em-2026/
Revista Ampla: https://revistaampla.com.br/a-era-das-telas-como-o-excesso-pode-prejudicar-a-saude-de-criancas-e-adultos/
