Skip to content Skip to footer

Binge-watching pode prejudicar coração, sono e saúde mental, alertam especialistas

O hábito de maratonar séries e filmes em sequência, conhecido como binge-watching, tornou-se parte da rotina de quem assina serviços de streaming. O recurso “próximo episódio”, que inicia automaticamente o conteúdo seguinte sem exigir nenhuma ação do espectador, facilita esse comportamento e, segundo especialistas, pode trazer consequências para a saúde quando praticado com frequência e por longos períodos.

Pesquisas citadas por publicações de saúde apontam que passar mais de quatro horas diárias em frente à televisão está associado a um risco consideravelmente maior de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC, quando comparado a quem assiste por períodos mais curtos. O principal motivo é a imobilidade prolongada: ao contrário de outras atividades sedentárias, como o trabalho concentrado em uma mesa, o tempo passado no sofá durante uma maratona costuma envolver pouquíssimo movimento, o que os pesquisadores chamam de “sentar passivo”.

O impacto vai além do corpo

Os efeitos do binge-watching não se restringem à saúde física. Segundo pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pessoas que se expõem por mais tempo a telas apresentam risco aumentado de desenvolver ansiedade e depressão. O estudo, conduzido pela terapeuta ocupacional Renata Maria Silva Santos, identificou sintomas como dificuldade de concentração, cansaço mental e dependência como consequências recorrentes da exposição excessiva às telas.

Outro ponto destacado por especialistas é o efeito do binge-watching sobre as relações sociais. Maratonar séries até tarde da noite reduz o tempo disponível para encontros presenciais com amigos e familiares, hábito considerado um dos principais fatores de proteção contra ansiedade e depressão. Para quem já enfrenta sentimentos de solidão, esse padrão pode se tornar uma espécie de “realidade substituta”, em que o vínculo emocional com personagens fictícios ocupa o espaço que seria de interações reais, sem oferecer a mesma troca afetiva.

Sinais de que é hora de reavaliar o hábito

Os especialistas listam alguns sinais de alerta que merecem atenção. Dificuldade para se desconectar das telas, irritação ao ser interrompido durante uma sessão de streaming e distúrbios do sono, como insônia, estão entre os indícios mais comuns de que o consumo de conteúdo audiovisual passou de um hábito de lazer saudável para um padrão problemático. O cansaço acumulado ao longo da semana, mesmo após noites aparentemente “de descanso” assistindo TV, também costuma ser um indicativo importante.

Vale lembrar que assistir séries e filmes não é, em si, um problema. A questão central está na frequência, na duração das sessões e no que esse hábito está substituindo na rotina da pessoa. Pequenos ajustes, como definir um horário limite para encerrar o streaming à noite, intercalar episódios com pausas para se levantar e movimentar o corpo, e priorizar encontros presenciais em parte das noites da semana, são recomendados por especialistas como formas de manter o equilíbrio entre o lazer digital e o bem-estar físico e emocional.

Este é um tema sensível e, caso você sinta que o uso de telas está afetando significativamente seu bem-estar, vale buscar orientação com um profissional de saúde.

Fontes consultadas: radis.ensp.fiocruz.br e viverbem.unimedbh.com.br

Autor: Diego Rodríguez Velázquez